As 6 formas de motivação da Teoria da Autodeterminação

Iuri Severo | Jun 29, 2020

Existem vários tipos de motivação, mas, entre eles, a motivação extrínseca e intrínseca merecem destaque. Na Teoria da Autodeterminação (TDA), os estudiosos Ryan e Deci discutem sobre uma forma de “evolução” da motivação, que vai da desmotivação até a motivação intrínseca, passando por 4 estágios de motivação extrínseca, e é sobre isso que iremos discutir nesse texto.

6 tipos de motivação da Teoria da Autodeterminação
6 tipos de motivação da Teoria da Autodeterminação

Mas antes de entrarmos na Teoria de Avaliação Cognitiva, precisamos discutir sobre a Teoria das Necessidades Básicas, que é uma das bases da autodeterminação.

Teoria das Necessidades Básicas

Segundo Ryan e Deci, os seres humanos são naturalmente propensos ao desenvolvimento, com desejo interno de crescimento em termos de conhecimento e de habilidades. Isso acontece por conta das necessidades intrínsecas de autonomia, competência pessoal e pertencimento (ou vínculo social).

A necessidade de autonomia pode ser definida como a capacidade de agir e fazer escolhas que se encaixem com os valores pessoais de cada um, com um alto nível de reflexão e consciência. Um “senso de eu”, que diz respeito à noção da pessoa individual, singular e distinta das outras.

A necessidade de competência pessoal está relacionada à adaptação ao ambiente e se refere a capacidade de aprender do indivíduo, bem como o desenvolvimento cognitivo. Essa necessidade engloba desde a procura da sobrevivência, a execução de atividades práticas, até a competência em uma participação social efetiva.

Já a necessidade de vínculo social é a que dá origem pela procura por relacionamentos com outras pessoas, grupos ou comunidades, em busca do amar e do ser amado. Ela também dá origem a preocupação, a responsabilidade, a sensibilidade e o apoio nos relacionamentos afetivos.

A motivação intrínseca surge nas ações que tem como intenção suprir as necessidades básicas, cujo o objetivo final é a integração da pessoa ao ambiente social, porém de maneira coerente com os valores culturais em que ela se insere.

Teoria de Avaliação Cognitiva

A Teoria da Avaliação Cognitiva é, assim como a Teoria das Necessidades Básicas, uma parte da TDA e nela é estudado as motivações básicas, intrínseca e extrínseca, e as diferenças individuais nas motivações.

A partir dela é possível destacar as várias formas de motivação extrínseca e como ela evolui a partir da internalização dos fatores que a criaram, formando um caminho contínuo que vai desde a falta de motivação, passando pela motivação extrínseca, até chegar à motivação intrínseca.

Todo esse caminho pode ser visualizado na Taxonomia da Motivação Humana, apresentado abaixo:

Taxonomia da motivação humana
Taxonomia da motivação humana

Desmotivação

A desmotivação ocorre quando há falta de intenção e vontade de agir. Nela, a ação é realizada apenas eventualmente para cumprir demandas externas. Pode ocorrer quando a pessoa acredita que a atividade que ela deve realizar não tem valor, ou ela acredita que não tem competência para realizá-la.

Você provavelmente já viu uma criança desistir de um jogo quando morre várias seguidas, certo? Isso acontece porque ela cria o sentimento de que não tem competência para jogar aquilo e que nunca vai alcançar o resultado esperado, que é passar de fase.

Como explicado na Teoria do Flow, tudo aquilo que é muito difícil ou muito fácil gera uma situação de desmotivação.

Regulação Externa

Já a regulação externa representa um estado menos autônomo de motivação extrínseca, onde as pessoas se motivam por fatores totalmente externos, como recompensas e punições.

Um exemplo disso são as pessoas que não gostam do emprego que tem, mas fazer hora extra pelo bônus financeiro.

Regulação Introjetada

Por outro lado, se a pessoa passa a realizar atividades sem que elas estejam de acordo com seus valores, mas para agradar alguém ou mesmo para evitar maiores aborrecimentos, essa motivação se torna introjetada

A atividades são executadas com sentimento de pressão, de ansiedade, para evitar culpa, para satisfazer o ego ou o orgulho, como quando um estudante decide fazer um curso para agradar os pais.

Identificação

A motivação regulada por identificação ocorre quando houve uma avaliação prévia, por parte da pessoa, das condições do contexto e ela então decidiu que a ação era momentaneamente conveniente.

Ela é facilmente vista em pessoas que fazem dietas ou exercícios por um período de tempo, para evitar problemas de saúde, e depois param.

Regulação Integrada

Sendo a forma mais autônoma de motivação extrínseca, a regulação integrada ocorre quando a pessoa se habitua a realizar uma ação e essa está de acordo com seus valores. No entanto, a ação em si não tem significado para pessoa, mas sim o que ela alcançará com isso.

Motivação intrínseca

Por fim, temos a motivação intrínseca. Esta acontece quando a pessoa age conforme seus motivos internos, baseados nas necessidades intrínsecas (autonomia, competência e vínculo social).

Ações que tem um significado para pessoa e que, apesar de alcançar um objetivo final, realizar a ação por si só já é satisfatório e gera um bem-estar.

Embora a motivação intrínseca seja claramente importante, grande parte das atividades executadas pelas pessoas são extrinsecamente motivadoras. Felizmente, a partir da internalização dos fatores que nos levam realizar uma ação é possível transformá-la em uma ação autodeterminada e, assim, chegar a motivação intrinsecamente regulada.

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